A análise genética do solo na agricultura orgânica

Com o aumento da população mundial, há uma crescente demanda por alimentos. Este fato é acompanhado por uma maior preocupação com o meio ambiente e com a saúde humana, fazendo com que a população busque cada vez mais alimentos saudáveis e sustentáveis. Neste contexto, os alimentos orgânicos têm assumido uma grande importância para esse consumidor, por serem capazes de atender a sua múltiplas exigências.

Na agricultura orgânica, são utilizadas técnicas de manejo que buscam dispensar o uso de defensivos agrícolas e fertilizantes químicos. Portanto, neste tipo de produção agrícola visa-se a geração de alimentos mais saudáveis e com maior harmonia com o meio ambiente. Dessa forma, a agricultura orgânica difere da tradicional, que objetiva a maior produção possível em um determinado local.

Apesar dos claros benefícios que a agricultura orgânica apresenta, ela enfrenta vários desafios. Por não utilizar agrotóxicos, os vegetais produzidos de maneira orgânica são mais suscetíveis às pragas, o que provoca mais perdas na produção. Além disso, a produção orgânica é mais demorada, em comparação com as técnicas tradicionais, o que pode gerar produtos mais caros.

A importância da microbiota do solo na produção orgânica

O sucesso na agricultura orgânica depende, em grande parte, do aproveitamento dos potenciais naturais de solo, especialmente os biológicos. Para isso, precisamos conhecer de maneira mais ampla e detalhada a microbiota presente em um solo, bem como os seus atributos funcionais.

Entre os organismos que compõem esta microbiota há espécies que podem prejudicar os vegetais. Porém, a maioria dos micro-organismos que vivem em um solo interage de maneira benéfica com as plantas, o que permite a compensação, ao menos parcialmente, de alguns dos entraves da agricultura orgânica. Isto se dá, pois muitos micro-organismos do solo podem produzir moléculas como nematicidas e inseticidas que controlam as pragas agrícolas. Além disso, pela sua atividade metabólica, os micro-organismos podem disponibilizar nutrientes para o crescimento vegetal, promovendo uma fertilização natural do solo.

A análise genética na agricultura orgânica

A ferramenta mais apropriada ao conhecimento da microbiota de um solo é a análise genética. Nesta análise, o DNA presente no solo é extraído e sequenciado. Posteriormente, os dados gerados podem ser analisados pela ferramenta AgriAnalysis, desenvolvida pela Biome4all, visando a identificação dos organismos presentes e de suas características funcionais. Segundo o biólogo Robert Freitas, a análise genética permite a detecção simultânea da maior parte dos organismos presentes em um solo, ao contrário das técnicas mais tradicionais de microbiologia.

Em um estudo realizado em 2017, analisou-se os microbiomas de solos de agricultura orgânica e convencional. Os autores deste puderam detectar que os solos sob regime orgânico apresentaram maior diversidade microbiana, em comparação com os de regime convencional. Além disso, observou-se que os manejos empregados como alternativas ao uso de agrotóxicos proporcionaram o enriquecimento de organismos que podem atuar na supressão de fungos e nematoides patogênicos.

Este tipo de estudo, baseado na análise genética do solo, permite demonstrar os benefícios que a agricultura orgânica pode ter para o meio ambiente. Por outro lado, também mostra as opções de manejo disponíveis para os produtores de orgânicos para sejam devidamente avaliadas. Pode-se, por exemplo, comparar a eficácia de diversos fertilizantes orgânicos para uma determinada cultura, visando a seleção do que promove a maior produção. Com isso, pode-se minimizar as pragas agrícolas e outros problemas que estes produtores de orgânicos enfrentam.

Dr. Marcus Adonai Castro da Silva – cofundador da Biome4all