A microbiota do solo e a resiliência dos agroecossistemas

Descubra como a microbiota pode contribuir positivamente para a resiliência do solo.

A microbiota dos solo contribui para a resiliência do solo. A resiliência pode ser definida com a capacidade do solo retornar ao seu estado original, após sofrer alguma forma de stress ou perturbação.

Esta é uma propriedade importante não apenas quando consideramos os ecossistemas naturais. Isto porque a própria prática agrícola, por alterar a cobertura vegetal de um solo, poder ser vista como uma forma de perturbação de um ecossistema.

Naturalmente, esta visão depende do sistema de cultivo adotado, bem como de outras práticas de manejo. Porém, muitas décadas de intensas práticas de cultivo resultaram na degradação de muitos solos.

Portanto, é de interesse, não apenas ambiental, mas também prático, que os solos retornem às condições mais saudáveis e mais próximas às que eles originalmente apresentavam. Neste contexto, iremos abordar agora algumas formas pelas quais os micro-organismos contribuem para a resiliência do solo.

Uma alta diversidade é fundamental para a resiliência do solo

Um dos fatores que contribuem para a resiliência do solo é a biodiversidade. Uma maior diversidade se traduz em uma grande variedade de espécies microbianas e um certo equilíbrio na ocorrência destas espécies. Quais são as implicações disto para a resiliência do solo?

Muitas espécies microbianas em um solo implicam na existência de um grande arsenal de funções neste solo. Estas funções relacionam-se com as várias atividades ecossistêmicas que os micro-organismos realizam, às quais manifestam-se em serviços ecossistêmicos.

Além disso, quando olhamos pela ótica da resiliência, a existência de várias funções em um solo quer dizer que este ambiente apresenta maiores chances de se recuperar de perturbações causadas por diferentes fatores de estresse.

Imagine, por exemplo, que perturbamos o solo por introduzir nele substâncias tóxicas utilizadas como defensivos agrícolas. O solo pode mitigar estes efeitos pela desintoxicação dessas substâncias. Sendo assim, os micro-organismos são os principais agentes atuantes nessa desintoxicação. Entretanto, se esta capacidade não for parte da carga genético dessa microbiota, este solo não será capaz de resistir a esta perturbação.

Neste contexto, também é importante uma ocorrência equilibrada entre as espécies microbianas. Isto permite que as respostas às perturbações, sejam elas quais forem, possam ocorrer da maneira mais rápida e eficiente.

A redundância funcional no microbioma

Em uma comunidade microbiana, muitos micro-organismos são capazes de realizar os mesmos processos ecológicos e fisiológicos. Esta redundância funcional é outra característica do microbioma que contribui enormemente para a resiliência do solo.

A importância disto é bem evidente: se eliminarmos um determinado organismo do solo, em função de alguma forma de estresse, dificilmente o solo perde a função que esse organismo realizava, uma vez que outros organismos também a realizam.

Contudo, não devemos assumir que existe redundância funcional para todas as atividades microbianas. Certos micro-organismos realizam processos bem específicos no solo.

Um exemplo destes processos é a nitrificação, a conversão de amônia em nitrito e nitrato. Os organismos nitrificantes são relativamente restritos a certos grupos taxonômicos de procariotos. Se eles forem eliminados do solo, o funcionamento do ciclo do nitrogênio fica prejudicado e, consequentemente, o próprio ecossistema.

Como podemos avaliar a contribuição da microbiota para a resiliência do solo

Uma avaliação apropriada da contribuição da microbiota para a resiliência do solo depende da nossa capacidade de mensurar e descrever a diversidade microbiana deste solo e o conjunto de funções dos micro-organismos dele. Considera-se que as técnicas de metagenômica, baseadas na detecção genética dos micro-organismos, são as mais apropriadas para esta finalidade.

A B4A oferece, através da plataforma FULLBIO, um conjunto de indicadores que nos informam sobre estas propriedades do solo. Estes indicadores incluem atributos relacionados com a resistência à estresse ambiental, atuação dos micro-organismos nos ciclos biogeoquímicos e indicadores da diversidade microbiana.

O FULLBIO fornece um conjunto completo de informações para tomada de decisão por aqueles profissionais que estão atuando na recuperação de solos degradados.

Além disso, o FULLBIO inclui um ambiente de comparações no qual o usuário pode contrapor solos diferentes espacialmente, temporalmente ou em relação com práticas agrícolas. Isto facilita a avaliação das opções disponíveis de manejo do solo.

Marcus Adonai Castro da Silva, microbiologista e cofundador da B4A

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Dr. Estácio J Odisi

Dr. Estácio J Odisi

PhD em Biotecnologia e Biociências e co-fundador da B4A

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