Como a cobertura vegetal influencia a microbiota do solo

Saiba como a cobertura vegetal pode influenciar a microbiota do solo.

Entre os fatores que influenciam a microbiota do solo, a cobertura vegetal é um dos mais importantes. Considerando que as práticas agrícolas essencialmente alteram a cobertura vegetal, é importante entendermos esta influência se quisermos buscar práticas mais sustentáveis ecologicamente. Por outro lado, este conhecimento também é importante para as ações de recuperação de solos degradados.

Os compostos liberados pela raiz e a microbiota do solo

A principal forma pela qual os vegetais influenciam os micro-organismos do solo é pela produção de compostos orgânicos que são liberados pela raiz. Estes exsudatos podem, por um lado, ser utilizados pela biota do solo diretamente, como fonte de carbono e energia, para o seu crescimento. Por outro lado, estes compostos são percebidos pela microbiota do solo, provocando respostas comportamentais.

Estas respostas químicas, que ocorrem no solo, são chamadas de quimiotaxia. Através delas, os micro-organismos podem se deslocar em direção à fonte destes compostos, ou seja, as raízes. Por outro lado, eles podem se deslocar na direção oposta. Neste caso, a planta produz um composto químico que apresenta toxicidade ao micro-organismo.

O resultado destas influências é facilmente visto pelo efeito rizosférico. Neste caso, observa-se, no solo sob influência direta das raízes, alterações na estrutura da comunidade microbiana e na sua atividade. Geralmente os micro-organismos são mais ativos na rizosfera, em comparação com o solo não rizosférico.

A microbiota muda dependendo do estado fenológico

Na medida em que a planta cresce, a microbiota do solo também muda. Isto se dá, pois a planta libera diferentes quantidades de exsudatos pela raiz. Naturalmente, a liberação destes compostos depende de um sistema radicular bem estabelecido. Ora, somente quando esse sistema radicular está formado é que a liberação de exsudatos é maximizada.

Por causa disso, o momento em que a planta mais interage com a microbiota do solo é ao final do período de crescimento ou início do período de reprodução. Em um solo saudável observamos, neste momento, uma mudança da microbiota para uma situação em que predominam organismos benéficos para a planta.

No entanto, se este solo se encontra degradado, estes organismos benéficos não estão presentes nele ou a sua quantidade é baixa. Neste caso, a planta favorece, de forma gratuita, a seleção de organismos maléficos que podem prejudicá-la.

Solos com diferentes coberturas vegetais possuem microbiotas distintas

Como seria esperado, diferentes espécies de vegetais produzem quantidades distintas de exsudatos. Além disso, a composição destes exsudatos pode mudar de uma espécie de planta para outra. Considerando que algumas moléculas podem estimular o crescimento microbiano e enquanto outras podem inibi-lo, é fácil perceber como estes fatores afetam os micro-organismos do solo.

Outro ponto importante a ser considerado neste contexto é o fato de as várias espécies de plantas possuírem ciclos de vida distintos, com diferentes estágios fenológicos e processos de desenvolvimento dos seus sistemas radiculares. Por último, o crescimento de uma planta altera as propriedades físico-químicas do solo. Como exemplo deste efeito podemos citar os solos que se tornam mais ácidos em função da presença de certos tipos vegetais.

O resultado de todos estes fatores, relacionados com a biologia do vegetal, é a constatação de diferentes comunidades microbianas quando comparamos solos com diferentes coberturas vegetais.

A importância da cobertura vegetal como determinante para a microbiota do solo

Muitas vezes estas diferenças na microbiota não afetam grandemente o solo, pois entre os micro-organismos há uma grande redundância funcional. Como exemplo podemos citar o fato de existirem várias espécies diferentes de bactérias que são capazes de fixar o nitrogênio. No entanto, não podemos negar que, alterando a cobertura vegetal, quando passamos a cultivar um solo, nós podemos provocar a perda de funções importantes para a manutenção deste ecossistema.

Além disso, quando adotamos uma monocultura por muitos anos, resultando na degradação do solo, podemos adotar como estratégia de recuperação um sistema de rotação de culturas e outras práticas similares. Os efeitos destas ações de manejo são múltiplos e incluem, de maneira muito importante, a melhora da biota do solo. O princípio é muito simples: a maior variedade na cobertura do solo proporciona uma diversificação da sua microbiota.

Devemos avaliar estes efeitos nas nossas práticas de manejo. Provavelmente a melhor forma de conduzir esta avaliação é pelo estudo do microbioma do solo. Ferramentas como a AgriAnalysis, desenvolvida pela Biome4All, baseadas na análise do DNA dos micro-organismos do solo, são as mais adequadas para conhecermos este microbioma, pois permitem uma descrição mais completa dos organismos presentes em um solo e de suas funções.

Marcus Adonai Castro da Silva, microbiologista e cofundador da Biome4All

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Dr. Estácio J Odisi

Dr. Estácio J Odisi

PhD em Biotecnologia e Biociências e co-fundador da B4A

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