Os micro-organismos do solo no sequestro de carbono

Sequestro de carbono

O sequestro de carbono corresponde aos processos que removem o dióxido de carbono (CO2) atmosférico, transferindo-o para os solos e oceanos de maneira que ele não seja reemitido para a atmosfera. Essa ação se dá por meio da fixação do CO2, mediada por organismos autotróficos (capazes de sintetizar o próprio alimento).

Os organismos autotróficos são de dois tipos, os fotossintéticos, como as plantas e as algas, e quimiossintéticos, como muitas bactérias. Entre estes dois processos, a fotossíntese é o principal mecanismo de sequestro de carbono. Nos oceanos ela é mediada especialmente por microalgas, porém, nos ambientes terrestres, as plantas são os principais organismos fotossintéticos.

O interesse pelo sequestro de carbono se relaciona com o aumento da emissão de CO2 para a atmosfera, algo que vem sendo registrado desde o século passado. Este fenômeno está associado com mudanças climáticas globais, que podem ter graves consequências para o nosso planeta como um todo. Um exemplo destas consequências é a acidificação dos oceanos, um processo que pode provocar grandes perdas da vida marinha, afetando um recurso alimentício fundamental para a sobrevivência da humanidade.

O sequestro de carbono em ambientes terrestres

Uma das causas apontadas para o aumento da emissão de CO2 são os diferentes usos dados para a terra, associados como o desmatamento e as queimadas. Estas práticas reduzem a biomassa e a diversidade de organismos fotossintéticos, e a capacidade de um ambiente terrestre de sequestrar o carbono atmosférico.

De forma geral os ambientes terrestres parecem atuar de maneira muito ativa no sequestro de carbono, seja pelas próprias plantas ou por meio de processos que ocorrem nos solos. Os solos possuem o maior reservatório de carbono dos ecossistemas terrestres. É nele que os micro-organismos atuam de maneira ativa, influenciando o sequestro de carbono.

A atuação dos micro-organismos no sequestro de carbono

Os processos de respiração, associados com a decomposição da matéria orgânica realizada pelos micro-organismos do solo, podem reduzir o sequestro de carbono. Com esses processos, a matéria orgânica é convertida em CO2, que é emitido para atmosfera. Estes processos podem ser descritos como uma forma de perda de carbono dos solos.

Por outro lado, os micro-organismos podem contribuir de maneira significativa para o sequestro de carbono. Sua atividade de fixação do CO2 é baixa, em comparação com a das plantas, porém, pela sua atuação na formação do húmus, que é um tipo de matéria orgânica de difícil mobilização, o carbono permanece aprisionado no solo. Eventualmente, equilíbrio dos vários processos biológicos de ciclagem do carbono, que ocorrem em um determinado local, irá determinar se os micro-organismos atuam de maneira positiva ou negativa no sequestro de carbono neste local.

O sequestro de carbono em solos cultivados

Quando um solo é utilizado para o cultivo agrícola toda a estrutura e dinâmica deste ecossistema é alterada. A mudança da cobertura vegetal pode ter grandes efeitos na capacidade de sequestro de carbono por parte das plantas, em comparação com a vegetação natural. Por outro lado, sabe-se que o tipo de cobertura vegetal exerce grande influência sobre as comunidades microbianas do solo, o que também pode alterar a dinâmica de sequestro de carbono de um ecossistema.

Desta maneira, o conhecimento da microbiota dos solos cultivados, obtido com ferramentas de análise genética como a realizada pela Biome4all, através da AgriAnalysis, possibilita a avaliação destes efeitos. Eventualmente, esta análise também auxilia na escolha de práticas agrícolas mais responsáveis, relacionadas aos problemas globais que ameaçam o futuro da nossa sociedade.

Dr. Marcus Adonai Castro da Silva – cofundador da Biome4all