Tecnologia genética de solo aplicada à saúde da cana-de-açúcar

Saiba como a microbiologia do solo pode ter aplicações benéficas para cultura da cana-de-açúcar.

A cultura de cana-de-açúcar se destaca como uma das mais importantes em todo o mundo. Isto se deve à indústria de álcool e de açúcar. Neste sentido, o Brasil se destaca como o maior produtor de cada. Com consequência, a cultura de cana-de-açúcar assume grande importância na geração de emprego e de renda para a população brasileira.

Assim como outras culturas, a de cana-de-açúcar pode se beneficiar de estudos de solo focadas na microbiota. Desta maneira, eles podem contribuir para melhorar a produção, para garantir a qualidade do solo e melhorar a saúde vegetal. Para ilustrar este último ponto, irei abordar neste texto alguns dos aspectos mais relevantes de resultados de estudos de solo obtidos pelo serviço FB Diagnóstico da B4A.

Os atributos associados com a saúde da cana-de-açúcar

Observando as funções microbianas que ajudam a melhorar a saúde das plantas nós podemos destacar alguns aspectos positivos e negativos. O principal aspecto positivo é que a microbiota do solo observado possui um grande potencial para ajudar a planta a reter os nutrientes. Com isso, estes elementos não são lixiviados do solo, beneficiando o vegetal.

Considerando a capacidade da microbiota estimular a resistência sistêmica da planta, o seu potencial é geralmente baixo. Sendo assim, a capacidade de produzir compostos voláteis, que realizam esta função, foi mediana. Contudo, a produção de ácido abscísico esteve muito abaixo da média. Uma forma de melhorar este atributo é pela seleção e aplicação no solo de organismos que possuem a capacidade de produzir estas substâncias.

Outro aspecto negativo é a resistência a metais tóxicos. O potencial da microbiota em auxiliar a planta nesta resistência está muito baixo. Isto pode ser um problema se o solo não apresenta concentrações tóxicas destes elementos. Portanto, este não é um aspecto tão alarmante deste solo.

O potencial de controle de pragas do solo cultivado com cana-de-açúcar

A capacidade da microbiota combater as pragas é bastante variável neste solo. Por um lado, detectou-se alguns potenciais. Sendo assim, podemos observar que a comunidade bacteriana possui um potencial muito alto de combater bactérias, fungos e nematódeos patogénicos. Diferentemente, o maior potencial da comunidade de fungos foi no combate de bactérias. No entanto este potencial esteve na média, em comparação com outros solos similares.

A maior fraqueza deste solo, em relação com o controle de pragas, é no combate de insetos patogênicos. As bactérias apresentaram um potencial mediano. Contudo, o potencial dos fungos combaterem insetos é muito baixo. Isto é de grande importância, uma vez que os insetos causam várias doenças de grande significância para a produção de cana. Este é um aspecto que o produtor de cana e o consultor dele devem observar de maneira atenta. Porém, na verdade, todo potencial de combate de pragas deste solo pode ser melhorado.

Organismos benéficos detectados na amostra

Uma das possibilidades de aumentar os benefícios obtidos pela microbiota é pelo uso de insumos biológicos. Entre os organismos detectados na amostra e que podem estimular a resistência sistêmica da planta estão os gêneros Bacillus e Pseudomonas. No entanto, a frequência destes gêneros está muito acima da média para solos similares. Então uma estratégia para aumentar este potencial no solo deve ser baseada em outros organismos benéficos. Várias outras rizobactérias que possuem este potencial não foram detectadas neste solo e isto abre várias possibilidades.

Observando os organismos que atuam no controle de insetos, podemos perceber que o solo apresenta uma alta ocorrência de Metarhizium. No entanto, outros gêneros que atuam no controle de insetos não foram detectados na amostra. Um exemplo destes gêneros é Bauveira. Logo, adoção de produtos biológicos baseados neste gênero fúngico seria uma boa ação prática para melhorar o potencial natural deste solo de controlar insetos prejudiciais.

Marcus Adonai Castro da Silva, microbiologista e cofundador da B4A

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