Murcha de Fusarium no café: como prevenir?

Entenda como a microbiologia do solo pode ajudar o produtor rural a combater a murcha de Fusarium no café Conilon

Recentemente, produtores de café Conilon (Coffea canephora) tem se deparado com uma doença preocupante, conhecida como “murcha de Fusarium”. Entre os causadores da doença, cujos sintomas incluem amarelecimento das folhas, murcha e morte de plantas, estão algumas espécies do gênero Fusarium spp. (F. decemcellulare, F. lateritium e F. solani).

Porém, devido ao recente relato da doença no Brasil (Began, 2018), poucas informações estão disponíveis sobre o seu comportamento. Não se sabe, por exemplo, como ocorre a disseminação do patógeno, quais cultivares são resistentes nem as condições favoráveis ao desenvolvimento das espécies, entre outras incógnitas.

Por outro lado, sabe-se que a doença pode danificar 100% das plantas, o que reforça a necessidade de adotar boas práticas de manejo para doenças causadas por patógenos que habitam o solo, como o Fusarium sp. Entre as práticas recomendadas estão:

  • Evitar ferimentos nas plantas;
  • Roguing (retirada e queima de plantas sintomáticas);
  • Rotação de culturas;
  • Boa drenagem do solo;
  • Evitar o trânsito de máquinas, implementos e ferramentas de um talhão contaminado para outro;
  • Uso de material propagativo sadio;
  • Controle biológico da doença.

Para o controle biológico da murcha de Fusarium no café Conilon, ainda não há produtos disponíveis comercialmente. No entanto, o biocontrole também pode estar ocorrendo com seres que habitam naturalmente o solo.

Micro-organismos no controle da Murcha de Fusarium

Alguns micro-organismos presentes naturalmente no solo podem atuar como antagonistas aos patógenos, prejudicando o seu desenvolvimento. Tais antagonistas podem atuar como uma barreira protetora física das plantas, competindo por espaço e nutrientes, excretando substâncias antimicrobianas, alterando a composição dos exsudatos radiculares, etc.

O papel do microbioma (conjunto de micro-organismos no solo) no combate a doenças causadas pelo gênero Fusarium já foi descrito em pesquisas científicas, mas a presença dos que têm potencial de biocontrole é influenciada pelo manejo da área. Ou seja, nem sempre os organismos presentes em uma área podem estar atuando contra Fusarium spp no cafeeiro.

Como saber se há potencial de biocontrole na área?

Por meio da plataforma FULLBIO, a B4A faz o levantamento de todos os fungos e bactérias presentes no solo. Com isso, é possível usar a ferramenta FB Diagnóstico, também desenvolvida pela B4A, para verificar a presença de seres que contribuem para a saúde do solo, assim como o papel deles na nutrição das plantas, na sustentabilidade e na biodiversidade.

Quer saber mais sobre a saúde do seu solo e como fortificar a primeira linha de defesa contra Fusarium spp. no cafeeiro? Entre em contato conosco!

Texto: Camilla Castellar, microbiologista da B4A

Importância da análise biológica do solo para a agricultura regenerativa

Importância da análise biológica do solo para a agricultura regenerativa

A produtividade agrícola vai muito além da fertilidade química do solo. A biologia do solo desempenha um papel fundamental na ciclagem de nutrientes, na saúde das plantas e no equilíbrio dos sistemas produtivos. Neste artigo, você vai entender a importância da análise microbiológica do solo, conhecer as principais metodologias utilizadas e descobrir como a integração de dados biológicos e físico-químicos pode apoiar decisões mais precisas, fortalecer práticas de agricultura regenerativa e contribuir para uma produção mais eficiente, sustentável e resiliente.

El Niño 2026: como o agro pode se preparar para as mudanças no clima?

El Niño 2026: como o agro pode se preparar para as mudanças no clima?

O El Niño muda os padrões de chuva e temperatura, trazendo desafios para a agricultura. Mas acompanhar a previsão é apenas parte do planejamento: cobertura, raízes e condições do solo também influenciam a resposta da lavoura. Entenda o cenário climático de 2026/27, a relação entre agricultura regenerativa e manejo da água e como conhecer melhor suas áreas. Descubra ainda como o BioStart utiliza a análise físico-química que você já possui para estimar riscos biológicos e ajudar a priorizar investigações no solo.

Sua análise de solo pode estar escondendo um risco biológico

Sua análise de solo pode estar escondendo um risco biológico

Todo produtor conhece a importância da análise de solo. pH, matéria orgânica, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e outros indicadores fazem parte de decisões tomadas todos os anos no campo. Mas existe uma pergunta que nem sempre é feita: o que esses mesmos dados podem nos dizer sobre a biologia do solo? Dois talhões podem apresentar resultados físico-químicos relativamente semelhantes e, ainda assim, responder de maneiras diferentes ao manejo, apresentar pressões distintas de doenças ou desenvolver ambientes mais ou menos favoráveis à atividade biológica.