Agri-Analysis em solos cultivados com uva e café

Agri-Analysis em solos cultivados com uva e café

A Agri-Analysis, ferramenta da Biome4all que interpreta dados genéticos da microbiota do solo, pode ser aplicada em vários tipos de terrenos. Neste texto, detalhamos o seu impacto no cultivo da uva e do café a partir de dois estudos de caso.

Em ambos, a tecnologia foi empregada na caracterização do microbioma do solo cultivado, identificando pontos importantes a serem considerados durante o manejo. Confira cada caso em detalhe a seguir:

Estudo de caso: Vinícola Santa Augusta

No estudo de caso da aplicação da Agri-Analysis em solos cultivados com uva, foram observados três pontos de relevância para a produção. A saber:

  1. Primeiramente, a análise do solo indicou baixo potencial de produção do hormônio vegetal Giberelina, responsável por promover o aumento da baga e a descompactação dos cachos, entre outros processos do cultivo de uvas. Com isso, os produtores rurais foram obrigados a acrescentar tal hormônio à produção ou adotar outra estratégia de manejo para contornar essa deficiência.
  2. Em segundo lugar, a análise genética da microbiota mostrou que o solo cultivado com uva se manteve favorável ao ganho ou pelo menos ao equilíbrio nutricional. A análise demonstrou, por exemplo, o potencial de fornecimento de fósforo ao vegetal, em processos identificados como solubilização e mineralização das formas orgânicas do elemento. Ao tomar conhecimento disso, o produtor consegue ajustar a aplicação de fertilizantes, utilizando todo o potencial natural do solo.
  3. Por fim, em terceiro lugar, a análise confirmou a produção de sideróforos pela microbiota do solo cultivado com uva, permitindo assim que micro-organismos e vegetais usufruam de ferro. No estudo de caso, o potencial de produção de sideróforos foi mediano para bactérias e baixo para fungos, o que sugere a possibilidade de manejo da microbiota natural, com o uso de produtos microbianos, melhorando a capacidade de fornecimento de ferro.

Estudo de caso: Cafezin do Brasil

Na avaliação genética do solo cultivado com café, três pontos também podem ser destacados. A saber:

  1. A microbiota do solo analisada pela ferramenta Agri-Analysis apresentou bom potencial no combate a nematoides, mas nem tanto no combate a insetos, uma das principais pragas dos cafezais. Portanto, para melhorar a proteção natural contra insetos, a sugestão foi a introdução de bioinseticidas, técnica de manejo mais amigável ao meio ambiente.
  2. Em segundo lugar, a microbiota do solo analisado não demonstrou capacidade de produzir giberelinas, deficiência que já era conhecida. Como dito antes, um caminho sugerido foi a manipulação da microbiota local com o objetivo de introduzir este fitohormônio na produção de café, reduzindo a necessidade de aplicação direta do próprio hormônio.
  3. Por fim, a análise também observou baixa capacidade da microbiota em promover o ganho de nitrogênio no solo. Enquanto alguns genes fúngicos associados aos processos de ganho de nitrogênio tinham frequência elevada, as bactérias sofriam para promover o ganho ou mesmo fixar este nutriente. Com isso, foram sugeridas várias possibilidades de manejo para suprir estas deficiências nutricionais relacionadas com o nitrogênio.

Para saber mais sobre estes estudos de caso ou sobre a ferramenta Agri-Analysis, entre em contato conosco!

Texto: Prof. Marcus Adonai Castro da Silva, microbiologista e cofundador da Biome4all