Aplicação da Agri-Analysis em solos cultivados com uva e café

análise de solo cultivado com uva e café

Recentemente, a Biome4all utilizou a a ferramenta Agri-Analysis de interpretação de dados genéticos da microbiota de solos em dois estudos de caso diferentes. No primeiro, conduzido em parceria com a Vinícola Santa Augusta, a Agri-Analysis foi empregada para a caracterização do microbioma do solo cultivado com uva. No segundo, realizado em parceria com a Cafezin do Brasil, a microbiota de um solo cultivado com café foi descrita. Em ambos os casos, foram identificados pontos importantes que podem ser considerados durante o manejo de ambas as culturas.

Análise na Vinícola Santa Augusta

No estudo de caso realizado em um solo cultivado com uva foram observados três pontos de relevância para a produção. Primeiramente, a microbiota do solo analisado apresentou um baixo potencial para a produção do hormônio vegetal giberelina. A giberelina é importante na produção de uva, pois este hormônio promove o aumento do tamanho da baga, além de promover a descompactação dos cachos, entre outros processos. O baixo potencial natural de produção deste hormônio exige que os produtores acrescentem a giberelina à produção ou adotem outra estratégia similar de manejo para suprir esta deficiência.

Considerando-se a nutrição vegetal, a microbiota do solo geralmente se mostrou favorável ao ganho nutricional pelas plantas ou em equilíbrio. Tomando o fósforo como exemplo, a microbiota demonstrou um grande potencial de fornecimento deste nutriente ao vegetal. Os processos identificados foram a solubilização do fósforo e a mineralização de formas orgânicas deste elemento. Em posse desta informação, o produtor pode realizar ajustes na aplicação de fertilizantes, de maneira a utilizar este potencial natural já presente no solo.

Um terceiro ponto de destaque é a produção de sideróforos por parte da microbiota. Os micro-organismos usam estas moléculas para a aquisição de ferro para si. Porém, os sideróforos também contribuem para disponibilizar o ferro para os vegetais, algo que vem ganhando destaque em várias culturas. Neste solo cultivado com uva, o potencial de produção de sideróforos foi mediano para as bactérias e baixo para os fungos, o que sugere a possibilidade de manejo da microbiota natural, com o uso de produtos microbianos, para melhorar a capacidade de fornecimento de ferro.

Estudo de caso com a Cafezin do Brasil

Na avaliação do solo cultivado com café, três pontos também podem ser destacados. Em primeiro lugar, a microbiota do solo analisada apresentou um bom potencial para o combate de nematoides. Porém, ela apresentou um baixo potencial para a produção de substâncias que atuam no combate de insetos, que é uma das principais pragas dos cafezais. Considerando-se o baixo potencial natural para combater estes organismos, uma opção para a melhora desta proteção natural contra insetos é a introdução de bioinseticidas, uma forma mais ambientalmente amigável de manejo.

Em segundo lugar, a microbiota do solo analisado não demonstrou a capacidade de produzir as giberelinas, o que estava de acordo com a necessidade já conhecida de introdução deste fitohormônio nesta produção de café. Novamente, há a possibilidade de manipular a microbiota local, visando introduzir este potencial no solo em questão, reduzindo a necessidade de aplicação direta do próprio hormônio.

Em último caso, considerando-se os aspectos nutricionais, a capacidade da microbiota em promover o ganho de nitrogênio neste solo se apresentou ligeiramente baixa. Enquanto as frequências de alguns genes fúngicos associados aos processos de ganho de nitrogênio se mostraram elevadas, como a síntese de aminoácidos e a mineralização de nitrogênio orgânico, a capacidade das bactérias promoverem ganho deste nutriente sempre esteve baixa, incluindo o processo de fixação do nitrogênio. Novamente, estes resultados sugerem várias possibilidades de manejo para suprir estas deficiências nutricionais relacionadas com o nitrogênio.

Dr. Marcus Adonai Castro da Silva – cofundador da Biome4all