A microbiota do solo e as pragas da horticultura

controle de pragas do tomateiro

Em uma postagem anterior, falamos como combater os diferentes tipos de estresses que ameaçam a produção de hortaliças. Agora, vamos abordar o uso da microbiota do solo no combate às pragas da horticultura, especificamente, alface e o tomate.

Os tipos de pragas

As principais pragas que afetam a alface são insetos e outros animais invertebrados. Dente eles estão: pulgões, lagartas, caracóis e nematódeos. Os insetos e outros invertebrados também são as principais pragas que afetam o tomate, como exemplo, as tripes, os pulgões e a mosca-branca. Em relação às doenças que os fungos causam, as principais são: a requeima, a pinta-preta, a murcha-destrutiva-do-fusário (para o tomate), e a queima-da-saia e a septoriose (para a alface).

Os efeitos desses organismos maléficos são tão drásticos que eles podem levar à perda total da produção. Isso ocorre, especialmente, quando o manejo do solo é feito de maneira incorreta ou quando as condições ambientais não são apropriadas. As diferentes formas de estresses tornam as hortaliças mais suscetíveis às pragas. Por isso, é importante que o produtor adote práticas adequadas para cada cultura, visando evitar ou reduzir a incidência dessas pragas.

O uso da análise genética no manejo de pragas

Para o controle das pragas da alface e do tomate, o produtor pode adotar o monitoramento do componente biológico do solo. Apesar de este tipo de análise ser menos comum na agricultura, vêm ganhando cada vez mais espaço nos últimos anos. Nós podemos realizar vários tipos de análises biológicas. Uma das que apresenta maior abrangência de informações é a análise genética, que permite ao produtor avaliar as características benéficas e maléficas ao mesmo tempo.

A ferramenta AgriAnalysis, de interpretação de dados genéticos de solo, desenvolvida pela Biome4all, é capaz de monitorar simultaneamente as bactérias e fungos que ameaçam a saúde de uma espécie vegetal em particular. Isso é feito em uma única análise, o que permite que o horticultor tenha uma visão mais ampla da saúde da sua lavoura. Além de indicar quais patógenos estão presentes, a AgriAnalysis também mensura a frequência dos gêneros desses organismos no solo analisado.

O potencial de controle biológico da microbiota

Análise genética de solo não permite apenas um monitoramento de micro-organismos maléficos. Ela também identifica as espécies e os atributos funcionais que podem contribuir no combate dessas pragas. Por meio da informação sobre a biota do solo, podemos identificar seus potenciais e suas deficiências, além de corrigi-las, visando a maior proteção da lavoura.

Um grupo de pesquisadores relatou, na Revista Nature, um exemplo do uso das informações sobre a microbiota do solo. A microbiota de um solo saudável, cultivado com uma cultivar de tomate resistente a um patógeno, foi transferida para um solo em que uma outra cultivar, suscetível à mesma doença, está sendo produzida. Com esta transferência, o solo que recebeu o inócuo se tornou mais supressivo ao patógeno.

Esse é apenas um pequeno exemplo dos potenciais que a análise genética e o conhecimento sobre os micro-organismos do solo oferecem aos produtores de alface e tomate. A microbiota do solo pode nos ajudar a garantir produtos de alta qualidade e uma maior produtividade, evitando perdas.

Dr. Marcus Adonai Castro da Silva – cofundador da Biome4all.